sábado, 28 de novembro de 2015

Dom Simão

De forma súbita e repentina, morreu o bispo de Assis, Dom José Benedito Simão. A morte de D. Simão, da forma como aconteceu, mostra-nos a efemeridade da vida. Ele participava de uma reunião de bispos e leigos católicos na cidade de Marília, quando sentiu-se mal, e houve necessidade de ser levado às pressas para o hospital onde permaneceu internado na UTI até que a sua morte fosse confirmada. 
A forma como morreu D. Simão - e inúmeras outras pessoas - nos mostra que a vida é efêmera e, infelizmente, o ser humano vive como se fosse eterno. Ou seja, vive uma vida desapegada dos valores cristãos imaginando que nada vai acontecer com ele. Entretanto, quando menos se espera, em uma dessas curvas da vida, vem o inesperado e acontece. A nossa vida na terra é passageira e devemos estar preparados para o inesperado. Como jornalista, participei de inúmeros eventos onde me custava acreditar que determinadas coisas tinham acontecido, e pessoas perderam a vida de forma tão repentina e inesperada. A partir daí, passei a ver a vida de forma diferente entendendo que estamos somente de passagem. Você pode estar aqui hoje, e de repente, daqui a alguns minutos não estar mais. 
Em função da minha profissão, tinha muitos contatos com os bispos de Assis. Sempre gostei muito da questão religiosa, e procurava me aprofundar muito nesta área. Lembro-me que fiz inúmeras entrevistas com o bispo D. Antônio, cobri em Araçatuba e em Assis a consagração do bispo D. Eugênio Rixen, assim como a de D. Maurício Grotto de Camargo em Presidente Prudente e em Assis. Também estive na consagração de D. Simão como bispo de Assis. A nossa relação sempre foi marcada por divergências em função de pensamentos referentes a realidade brasileira. Várias vezes ele me chamou no bispado para apresentar a sua forma de pensar sobre algumas coisas que escrevia, e que ele não concordava. Isso é comum com o jornalista. Afinal, o bom jornalista não busca a unanimidade. Como dizia o grande escritor brasileiro, Nelson Rodrigues, toda "unanimidade é burra". Assim, como D. Simão, tinha essa experiência com o reverendo Valmir Machado (também já falecido) que tinha contatos constantes comigo para comentar e discutir fatos que escrevia em editoriais no jornal "Voz da Terra". 
Entretanto, sempre tivemos uma relação de respeito, apesar da sua posição conservadora em relação aos posicionamentos políticos e sociais brasileiros. Por isso, em algumas vezes, havia discordâncias. Isso, todavia, não impedia que fizesse várias matérias com o bispo D. Simão sobre o dia a dia da igreja em Assis. Tinha até mesmo o seu celular particular, e sempre que necessitava, entrava em contato com ele quando me atendia de forma respeitosa passando as informações que necessitava. 
Acredito piamente na vida após a morte. Todos aqueles que seguem os ensinamentos de Jesus Cristo devem esperar viver ao seu lado na eternidade. A morte repentina e inesperada de D. Simão nos serve de alerta. Um alerta sobre a necessidade de mudarmos o nosso comportamento em relação à vida, procurando vivermos em comunhão com nossos irmãos, evitando usar de expedientes baixos e maldades para prejudicá-los. Afinal, a vida é assim: ora estamos aqui, ora não estamos mais. 
Peço que Deus, em sua infinita bondade e eterna misericórdia, que acolha a alma de D. Simão lhe dando o descanso eterno. Ele nos deixa bons exemplos, e o último, sem dúvida, é a doação de seus órgãos para que outras pessoas possa continuar vivendo melhor. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A Independência e o acordo das elites

A Independência do Brasil foi um grande acordo das elites. Infelizmente, os livros de História não oferecem aos alunos  - e às pessoas - o que realmente aconteceu para que D. Pedro I, no dia 7 de Setembro de 1822, no riacho do Ipiranga, gritasse a famosa frase "Independência ou Morte". À exemplo do que acontece em toda a história brasileira, a Independência foi um grande acordo, envolvendo D. Pedro I e o seu pai, D. João VI. 
O colonialismo atravessava uma grande crise nos séculos XVIII e XIX. Inúmeras revoltas envolviam países sob o jugo do imperialismo europeu. No Brasil, especificamente, inúmeras revoltas marcavam o cenário nos mais diferentes pontos do País, como a Revolta dos Malês, Balaiada, Sabinada, Revolução Farroupilha, etc. 
O Brasil estava a ponto de explodir. Prestes a um processo revolucionário. Enquanto isso, Portugal passava por inúmeras dificuldades econômicas, principalmente em relação a Inglaterra. Os ingleses eram a grande potência imperialista da época, a exemplo do que é hoje os Estados Unidos. Portugal devia uma fábula para a Inglaterra e não tinha como quitar esta dívida com os ingleses. 
Observando o cenário nada favorável para o domínio português no Brasil, percebendo que o país estava prestes a explodir, vivendo um processo pré-revolucionário, D.João VI propôs um acordo com o seu filho, D. Pedro I, o então imperador brasileiro na época. 
D. João VI propôs ao filho que oferecia a independência ao Brasil, desde que assumisse a dívida de 500 mil libras esterlinas que Portugal devia a Inglaterra. Caso D. Pedro I aceitasse esta proposta, D. João VI concederia a independência ao Brasil. Diante de um cenário explosivo e nada favorável, D. Pedro I não titubeou e aceitou a proposta do pai. 
Diante disso, no dia 7 de Setembro de 1822, D. Pedro I, acompanhado da Guarda Imperial, se dirigiu até o riacho do Ipiranga, em São Paulo, levantou a espada e gritou "Independência ou Morte", dando a imagem de que caso Portugal não aceitasse oferecer a autonomia ao Brasil, haveria guerra. Entretanto, tudo foi uma farsa. Na verdade, tudo já estava acordado com o pai, D. João VI, e aquele gesto só foi para "inglês ver". Ao oferecer a independência ao Brasil, D. João VI fez com o País também assumisse a dívida de 500 mil libras esterlinas com a Inglaterra, um pesado fardo que levou século para que o Brasil quitasse esta monstruosa dívida. 
Seria algo como US$ 100 bilhões em dinheiro atualmente. Esta dívida, somada às demais contraídas pelos governos posteriores, principalmente a partir de Juscelino Kubtschek de Oliveira e os governos militares, só foi paga pelo então presidente Luìs Inácio Lula da Silva no início dos anos 2000, quando assumiu a presidência da República. 
Este grande acordo entre pai e filho para a concessão da independência do Brasil é algo que perpassa a história brasileira. A história do Brasil é permeada de acordos entre as elites para que não fiquem longe do poder. Temos uma das elites mais reacionárias da América, e ao contrário do que aconteceu nos países da América Espanhola, não houve uma grande ruptura no Brasil. Um exemplo disso são os militares que nos países da América Espanhola pegaram cadeia brava após desrespeitarem os mínimos direitos humanos, enquanto no Brasil desfilam sem qualquer punição, apesar dos crimes que estiveram envolvidos durante o regime militar. 
As elites no Brasil contam com o beneplácito do Judiciário e da Imprensa que defendem este modelo. E combatem ferozmente governos trabalhistas que oferecem reformas importantes ao Brasil, como Getúlio Vargas, João Goulart, Lula e Dilma Roussef. 

sábado, 15 de agosto de 2015

Coxinhas, hoje tem selfie com a PM?


Na marcha coxinha e golpista deste dia 16, os coxinhas ainda pagarão o mico de tirar "selfies" com PMs? Coxinhas, na verdade, são figuras tão fáceis de analisar sociologicamente, que quase não tem graça. 
É óbvio que o seu fetiche por PMs nasce do sentimento de classe, de que a polícia existe para proteger a sua classe, os ricos, e não os pobres, que merecem ser tratados com violência ou mesmo com a pena máxima. A polícia brasileira é uma das polícias mais violentas, assassinas e corruptas do mundo. 
Nem todos os policiais são corruptos, claro. Evidentemente, há muitos honestos, mas a verdade é dura. Não só existe corrupção na PM, como existe algo ainda mais maligno, uma cultura terrível de truculência e desrespeito à vida e aos direitos humanos, que resulta numa quantidade insuportável de mortes nas periferias do Brasil. 
Importantes organizações acusam as polícias brasileiras de estarem promovendo um verdadeiro massacre da juventude pobre e negra do país. Contra isso, porém, os coxinhas não protestam. Ao contrário, os coxinhas vão lá e tiram selfie, pimpões, com policiais fortemente armados. 
O massacre de 20 pessoas na Grande São Paulo ocorrida na última sexta-feira, precedida do massacre de corintianos na sede da Pavilhão 9, com envolvimento de policiais militares, mostra que há uma crise institucional em São Paulo. Uma crise de profundas repercussões. 
Como se sabe, a Segurança da São Paulo tucana se sustenta numa aliança com o PCC, Primeiro Comando da Capital. São Paulo, como se sabe, é o ÚNICO lugar do mundo em que o crime é dirigido DENTRO da cadeia pelo PCC. 
Essa aliança foi sagrada no governo tucano de Geraldo Alckmin, para suspender a tomada da capital pelo PCC, em 2006. Fez-aí a paz. 
Ficou conhecida como a "Paz do Marcola". Estabeleceu-se esse vínculo institucional: os tucanos dizem que o PCC acabou e o PCC governa o crime. Dentro e fora da cadeia. Depois, é só administrar as estatísticas de criminalidade. 
Essa chacina na noite de quinta-feira, 13 de agosto, porém, rasgou o pacto. A polícia matou dezoito, ou vinte. Quantos, em represália, o PCC chacinará? Quantos destes eram do PCC? Quantas vidas de policiais valem um único quadro do PCC, morto. A elite de São Paulo - a pior do Brasil, segundo o Mino Carta - corre o risco de não poder desfilar na marcha golpista deste domingo. Já imaginaram se o PCC resolve se vingar, ali, em frente às câmeras da Globo, na avenida Paulista? 
As dondocas cheirosas, que transformaram panelas em penicos - como disse o José de Abreu - terão coragem de chegar perto de um PM para fazer um selfie? 
É uma crise das instituições tucanas! 
Gravíssima!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Os militares vão ficar quieto com a prisão do almirante Othon?


No artigo anterior comentamos que o Brasil vive um estado policial com a interferência absurda da Polícia Federal e de um juiz de primeira instância do Paraná, louco por publicidade, ligado aos grandes meios de comunicação, São verdadeiros absurdos que fogem do senso comum e do estado de direito. Infelizmente, poucos brasileiros têm a coragem de denunciar este estado policial que vigora no Brasil atualmente. 
A última do juiz do Paraná - não vamos citar o seu nome para dar publicidade para um magistrado de primeira instância louco por publicidade - é a prisão, na denominada operação "Eletrobrás", a Lava Jato prendeu o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. Seu nome apareceu na delação premiada de Danton Avancini, diretor da Camargo Correia, que lhe teria feito "três pagamentos". 
Ainda há que se esperar o processo final. HOje em dia tem-se um grupo de procuradores e delegados avalizados por um juiz e, por um conjunto de circunstâncias históricas, donos do poder absoluto de levantar provas, julgar e condenar sem a possibilidade do contraditório , valendo-se de forma indiscriminada da parceria com grupos jornalísticos. 
Em outros momentos, o uso indiscriminado de denúncias por jornais produziu grandes enganos e manipulações. É possível que Othon seja culpado, é possível que não seja, pouco importa: desde então está na cadeia o pai do programa nuclear brasileiro. 
O Brasil deve a Othon o maior feito de inovação da sua história moderna: o processo de enriquecimento de urânio através de ultra centrífugas. Foi um trabalho portentoso, que sobreviveu as crises do governo Sarney, ao desmonte da era Collor, aos problemas históricos de escassez de recursos, enfrentando boicotes externos, valendo-se de gambiarras eletrônicas para contornar a falta de acesso a componentes básicos, cuja exportação era vetada por países que já dominavam a tecnologia. 
A situação passou dos limites e já passou da hora de colocar freio neste juiz midiático do Paraná. Trata-se de um homem que em Israel, na Rússia e nos EUA seria um herói nacional. O almirante, ao contrário, enfrentou os EUA que tentou boicotar de todas as formas o programa nuclear brasileiro. Daqui a pouco, o juiz do Paraná vai levar o embaixador americano no interrogatório do almirante Othon, a exemplo do que acontecia nas masmorras do DOI-CODI em 1964. O inacreditável é que este juiz do Paraná não investiga o governador do Estado dele, do PSDB, envolvido em inúmeras falcatruas e que mandou a Polícia Militar bater sem dó em professores que estavam em frente da Assembleia Legislativa. 
O que se observa é que a prisão do almirante tem algo de conspiração. A conspiração atinge a mais alta patente da carreira científica naval, exatamente no núcleo pensante que mais compromissos tem com a Pátria e que se empenha, no momento, em construir as bases para a defesa da Amazônia Azul, onde mora a esperança de um futuro independente para o Brasil. 
Obviamente, não é um juiz de primeira instância do Norte do Paraná, um procurador movido pela ira do deus enfezado dos evangélicos radicais o u meia dúzia de covers do FBI que têm tal motivação e poder. 
Na falta de um ministro da Justiça covarde, como é este José Eduardo Cardozo, está na hora dos militares darem um murro na mesa e colocarem este juiz de primeira instância em seu devido lugar. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Um estado policial no Brasil



O Brasil vive atualmente um estado policial com abusos perpetrados pelo Judiciário e pela Polícia Federal. Há um juiz no Paraná, Sergio Moro, que atropela todos os elementos jurídicos que devem oferecer à pessoa o direito de defesa. Condena-se primeiro e depois verifica-se a culpa ou não da pessoa. A Polícia Federal age, por outro lado, de forma arbitrária, estando fora de controle, justamente porque temos um ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que não tem qualquer ascendência sobre a instituição policial. 
E o "juiz de Guantánamo", como bem define o jornalista Paulo Henrique Amorim, em alusão ao local onde os norte-americanos torturam presos sem que haja acusações formais contra eles, O juiz Sergio Moro, como bem disse vários juristas, atropela questões jurídicas, prendendo pessoas que depois se julgam ser inocentes. 
Na companhia dos primeiros condenados a usufruir do prêmio por sua delação, dois dos suspeitos da Lava Jato foram inocentados pelo juiz Sergio Moro. Márcio Andrade Bonilho, dirigente da empresa Sanko Sider, fora colhido no roldão, sem ser notado. Adarico Negromonte Filho poderia tornar-se notado por ser irmão do ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte. Mas recebeu destaque por juntar àquela condição a de ser dado como fugitivo, porque não encontrado pelo arrastão da Polícia Federal. Preferiu ter ideia do que se passava, não teve, e dias depois se apresentou à polícia. 
A prisão de Adarico Negromonte Filho, ao se apresentar, proporcionou uma das imagens do inaceitável: algemado e cercado de policiais federais  nos seus sinistros uniformes pretos, de duvidosa legalidade. 
Adarico é forçado a apressar o passo pela mão de um policial apertada em sua nunca como garra, forçando-o ainda a encurvar-se, cabeça humildemente abaixada. A cena ilustrou o noticiário da Lava Jato nas tevês e nos jornais. 
Nem que o seu preso fosse culpado, a Polícia Federal poderia justificar seu modo de agir. Mas, além disso, Adarico Negromonte Filho, preso apenas por quatro dias, é declarado inocente pelo juiz Sergio Moro. Embora para ser assim declarado, precisasse esperar por oito meses. 
Alternativa de imagem simbólica, ainda mais exibida e repetida até hoje, Marcelo Odebrecht é levado preso por policiais federais, em sua imitação sinistra de série de tv, cobertos de coldres e bolsas de armas e granadas e munições - e fuzil. Em diagonal no peito, dedo sobre o gatilho. É uma configuração completa da violência gratuita, absurda, prepotente. 
A conduta sóbria do policial de feições orientais, o mais presente e sempre contido nas prisões da Lava Jato, não atenua a situação. Até a agrava, pelo contraste. Mostra, com isso, que os direitos básicos do cidadão, não vem sendo respeitado por obra de apelos midiáticos e a espetacularização da notícia. 
Este é um sinal extremamente grave no Brasil atual onde uma instituição policial parece sem controle, e tal fato sempre termina em injustiças. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O maior 171 do Brasil


No Brasil, a maioridade penal já foi reduzida: começa aos 12 anos de idade. A discussão sobre o tema, portanto, é estéril e objetiva, na verdade, isentar os culpados de responsabilidade pelo desrespeito aos direitos e garantias fundamentais da criança e do adolescente, previstos na Constituição Federal. A proposta foi aprovada em primeiro turno na Câmara Federal, após uma manobra casuística e antidemocrática do atual mandatário, Eduardo Cunha, e leva o sugestivo número de PEC 171. O Código Penal especifica que o artigo 171 é aquele quando alguém tenta enganar alguma pessoa utilizando de meios espúrios. 
O maior de 18 anos de idade que pratica crimes e contravenções penais (infrações penais) pode ser preso, processado, condenado e, se o caso, cumprir pena em presídios.O menor de 18 anos de idade, de igual modo, também responde pelos crimes ou contravenções penais (atos infracionais) que pratica. 
Assim, um adolescente com 12 anos de idade (que na verdade ainda é psicologicamente uma criança), que comete atos infracionais (crimes), pode ser internado (preso), processado, sancionado (condenado) e, se o caso, cumprir a medida (pena) em estabelecimentos educacionais, que são verdadeiros presídios. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente, ao adotar a teoria da proteção integral, que vê a criança e o adolescente (menores) como pessoas em condição peculiar de desenvolvimento, necessitando, em consequência, de proteção diferenciada, especializada e integral, não teve por objetivo manter a impunidade de jovens, autores de infrações penais, tanto que criou diversas medidas sócio-educativas que, na realidade, são verdadeiras penas, iguais àquelas aplicadas aos adultos. 
Assim, um menor com 12 anos de idade, que mata seu semelhante, se necessário, pode ser internado provisoriamente pelo prazo de 45 dias, internação esta que não passa de uma prisão, sendo semelhante, para o maior, à prisão temporária ou preventiva, com a ressalva de que para o maior prazo da prisão temporária, em algumas situações, não pode ser superior a 10 dias. Custodiado provisoriamente, sem sentença definitiva, o menor responde ao processo, com assistência de advogado, tem de indicar testemunhas de defesa, senta no banco dos réus, participa do julgamento, tudo igual ao maior de 18 anos, mas apenas com 12 anos de idade. Não é só. Ao final do processo, pode ser sancionado, na verdade condenado, e, em consequência, ser obrigado a cumprir uma medida, que pode ser a internação, na verdade uma pena privativa de liberdade, em estabelecimento educacional, na verdade presídio de menores, pelo prazo máximo de 3 anos. 
A esta altura, muitos devem estar se perguntando: mas a maioridade penal não se inicia aos 18 anos de idade? 
Sim e não!
A Constituição Federal (art.228) e as leis infraconstitucionais, como, por exemplo o Código Penal (art.27), o Estatuto da Criança e do Adolescente (art.104) dizem que sim, ou seja, que a maioridade penal começa aos 18 anos, contudo o que acontece na prática é bem diferente, pois as medidas sócio-educativas aplicadas aos menores (adolescentes de 12 a 18 anos de idade) são verdadeiras penas, iguais aos que são aplicadas aos adultos, logo é forçoso concluir que a maioridade penal, no Brasil, começa aos 12 anos de idade. 

Vale lembrar, nesse particular, que a internação em estabelecimento educacional, a inserção em regime de semiliberdade, a liberdade assistida e a prestação de serviços à comunidade, algumas das medidas previstas no Código Penal para os adultos são: prisão, igual à internação do menor; regime semi-aberto, semelhante à inserção do menor em regime de semiliberdade; prisão albergue ou domiciliar, semelhante a liberdade assistida aplicada ao menor; prestação de serviços à comunidade, exatamente igual para menores e adultos. 
A questão, portanto, não é reduzir a maioridade penal, que na prática já foi reduzida, mas discutir o processo de execução das medidas aplicadas aos menores, que é completamente falho, corrigi-lo, pô-lo em funcionamento e, além disso, aperfeiçoá-lo, buscando assim a recuperação de jovens que se envolvem em crimes, evitando-se, de outro lado, com esse atual processo de execução, semelhante ao adotado para o maior, que é reconhecidamente falido, corrompê-los ainda mais. 
O Estado, Poder Público, Família e Sociedade, que têm por obrigação garantir os direitos fundamentais da criança e do adolescente (menores), não podem, para cobrir suas falhas e faltas, que são gritantes e vergonhosas, exigir que a maioridade penal seja reduzida. 
A sociedade, por seu lado, que não desconhece todos estes problemas, que prejudicam sensivelmente os menores, não exige mudanças, tolera, aceita, cala-se, mas ao vê-los envolvidos em crimes, muito provavelmente por conta destas situações, grita, esperneia, sugere, cobra, coloca-os em situação irregular e exige, para eles, punição, castigo, internação, abrigo em instituições. 
Ora, quem está em situação irregular não é a criança ou o adolescente, mas o Estado, que não cumpre suas políticas sociais básicas; a Família, que não tem estrutura e abandona a criança; os pais que descumprem os deveres do pátrio poder; a Sociedade, que não exige do Poder Público a execução de políticas públicas sociais dirigidas à criança e ao adolescente. 
Por estes motivos e outros, repudiamos a proposta de redução da maioridade penal, que, se vingar, configurará um "crime hediondo", praticado contra milhões de crianças e adolescentes, que vivem em situação de risco por culpa não deles mas de outros que estão tentando esconder suas faltas atrás desta proposta, que, ademais, se aprovada, não diminuirá a criminalidade, a exemplo do que já ocorreu em outros países do mundo. 


segunda-feira, 6 de julho de 2015

O PT financia a mídia que o golpeia


O recente levantamento publicado pela fascista "Folha de S. Paulo" (o jornal que emprestou suas viaturas para torturar e matar presos políticos para o golpe de 64) sobre despesa de publicidade do governo federal nos últimos 14 anos, 12 dos quais sob o comando do PT, é, ao mesmo tempo, um espanto estatístico e um desalento político. 
Foram R$ 15,7 bilhões despejados, prioritariamente, em veículos de comunicação moralmente falidos e explicitamente a serviço das forças do atraso e da reação. Quando não, do golpe. O mais incrível é que 10 entre 10 colunistas cães de guarda da mídia não perdem a chance de abrir a bocarra para, na maior cara de pau, acusar blogueiros de receber dinheiro do governo para falar bem do PT. Ainda que fosse verdade (99% dos blogueiros não recebem um centavo de ninguém), ainda assim, não seria injusto
Isso porque somente a Globo recebeu R$ 5 bilhões dos cofres públicos para, basicamente, falar mal do PT. Nada menos que um terço de todo dinheiro gasto com publicidade pelo governo federal. E se pode, ainda, colocar R$ 1 bilhão por fora, valor atualizado da sonegação de impostos com a qual a Globo está envolvida. Sem falar na Editora Abril, responsável pelo esgoto da revista "Veja".
Apesar do histórico de invencionices, o balcão dos Civita faturou quase R$ 300 milhões (!!) de grana do contribuinte para produzir lixo tóxico disfarçado de jornalismo. Isso significa que o negócio do jornalismo no Brasil, sempre tão ávido em apontar o dedo para o governo, simplesmente, não vive sem o dinheiro do governo (seja ele qual for a instância). 
Esse levantamento reforça a tenebrosa impressão de que os governos do PT foram definitivamente dominados pelos oligopólios da mídia de forma a garantir-lhes renda líquida e necessária, mesmo que a contrapartida seja a fatura conhecida de todos: calúnia, difamação, injúria, mentiras, boatos, assassinatos de reputação e ataques editoriais. Não dá para entender como governos do PT financiaram uma mídia raivosa com o simples objetivo de destruí-lo politicamente. É o mesmo que você alimentar uma cobra para picá-lo. 
Por essa razão, tornou-se imperiosa a necessidade de ser fazer, imediatamente, uma revisão geral dos critérios de aplicação de publicidade oficial nessas máquinas privadas de sucção de dinheiro público. Em um mundo virtual, onde a comunicação de rede trabalha com audiência de milhões de pessoas em torno de um único post nas redes sociais, tornou-se totalmente obsoleto o tal "critério técnico", seguido como evangelho pelo governo federal. Está bem claro quem são os beneficiários dessa armadilha burocrática mantida intacta pelo Palácio do Planalto. 
E, é bom que se diga, isso nada tem a ver com a regulação da mídia, nem se inclui em qualquer dessas falsas polêmicas relativas a liberdade de imprensa e de expressão - tão caras a moralistas e hipócritas a soldo das empresas de comunicação. Trata-se de acabar com um sorvedouro de dinheiro público.