domingo, 9 de julho de 2017

Ibitinga: um exemplo que Assis poderia seguir

Quando estive no jornal “Voz da Terra”, me lembro de ter feito inúmeras matérias com lideranças da cidade sobre a necessidade de Assis ter uma “vocação econômica”. Muita tinta foi gasta, mas, nenhum resultado prático aconteceu até hoje. Estive neste final de semana em Ibitinga visitando a 14ª Feira do Bordado, e fiquei impressionado com a estrutura que é montada para um evento deste tipo. O Centro de Convenções aonde acontece a Feira é fantástico e muito grande. Você paga um ingresso de R$ 5, com ingresso personalizado, e para ingressar no recinto, é necessário passar por catracas eletrônicas. No interior do recinto, há quatro pavilhões aonde acontece a exposição, e tudo é muito bonito e organizado. Os produtos expostos são belíssimos. Além da exposição dos produtos de bordados, há também outros setores econômicos que expõem, tudo muito organizado. Até mesmo há um setor aonde você pode comprar pássaros das mais diferentes espécies. A praça de alimentação é grande, com lanchonetes que oferecem todos os tipos de lanches, assim como restaurantes. Há uma área para shows que acontecem a cada noite. Ao lado há um enorme parque que oferece todos os tipos de brinquedos às crianças, maior daqueles que expõem em feiras agropecuárias. Os principais veículos de comunicação cobrem o evento, com entradas ao vivo e reportagens especiais. A cidade vive em torno dos produtos relacionados ao bordado. Praticamente as lojas fabricam seus próprios produtos, o que gera inúmeros empregos. Conversando com o organizador da Feira, ele me disse que Ibitinga tem um dos menores índices de desemprego per capita no Brasil, apesar da crise. O volume de negócios é muito elevado. A Feira é visitada por pessoas de todo o Brasil, e é só observar os ônibus que chegam em grande número dos mais diferentes pontos do país. Além disso, há um centro em Ibitinga que expõe produtos de domingo a domingo o ano inteiro. A área central da cidade é movimentada por lojas relacionadas ao bordado, além de você encontrar inúmeras lojas e fábricas espalhadas pela cidade. Imagino que diretores da Associação Comercial e Industrial de Assis deveriam estar visitando um evento desta importância para aplicar estes conhecimentos em Assis. É claro que Assis não segmentaria o bordado como atividade econômica. Mas, poderia desenvolver uma ampla discussão qual seria a vocação econômica da cidade, e a partir daí, investir muito em tal segmento. Você transforma a economia da cidade. A ACIA poderia realizar um Fórum de uma semana trazendo representantes de cidades que segmentaram suas economias como Birigui, Jaú, Santa Cruz do Rio Pardo e Ibitinga, com resultados extremamente positivos. Aí também entraria também a Prefeitura para oferecer toda a estrutura necessária. Mas, Ibitinga é um exemplo que Assis deveria seguir. 

sábado, 10 de junho de 2017

O Brasil da sala de aula e o Brasil da periferia


Na última quarta-feira, durante a aula no período noturno da EE “José Augusto Ribeiro”, onde ministro aulas de História e Sociologia, no 3º Ano, durante a aula de Sociologia, falava sobre Direitos Sociais, e remetia à Revolução Industrial quando as jornadas de trabalho eram longas para crianças, mulheres, homens e velhos, sem qualquer tipo de direito. Isso só aconteceu a partir da atuação dos sindicatos que definiram tempo de jornadas de trabalho e direitos sociais aos trabalhadores. E, diante do tema, trouxe à realidade brasileira atual passando um texto aos alunos sobre esta malfadada reforma trabalhista. Para minha surpresa, os alunos, todos na faixa de 18 anos, desconheciam o que está sendo tramado em Brasília, e os direitos que perderão com flexibilização da CLT. Todos ficaram boquiabertos com o que vêm por aí caso esta reforma trabalhista seja implementada por exigência do grande capital. O desconhecimento dos malefícios dessa reforma era geral.
Em um atendimento, ainda nesta semana, de uma mulher que mora em Capão Redondo, um bairro da periferia de São Paulo, de repente comentei sobre as dificuldades que o país atravessa, e também para minha surpresa, ela começou a criticar Dilma. De repente, perguntei para ela que a Dilma não era mais a presidenta do Brasil. E ela ficou surpresa porque não sabia que a Dilma havia deixado a presidência há cerca de um ano. Ela desconhecia quem era Michel Temer. Diante disso, perguntei para ela como escolhe seus candidatos nas eleições. E ela disse que vota em quem o pastor mandar.

Diante desta realidade, chego a conclusão que as pessoas que moram nas periferias das cidades são influenciadas pela Rede Globo, pelos pastores e pelos traficantes que dominam este terreno de um Brasil surreal. 

sábado, 3 de junho de 2017

Terras à venda, como querem os ruralistas

A normativa cria em seus dispositivos um contexto de vulnerabilidade ao assentado que, a curto prazo, pode significar na venda das terras aos grandes proprietários. Isto porque a medida estabelece que o prazo limite para emancipar uma família passa a ser de 15 anos para a família que será assentada e três para aquela que já está na terra. Para Teixeira, o problema não está no prazo limite de emancipação, mas na ausência de menção no texto às obrigações do estado, como prevê o Artigo 188 da Constituição Federal.
Outros dois dispositivos que evidenciam a emancipação massiva é a antecipação da possibilidade de venda da terra pelo assentado, contando 10 anos a partir da chegada da família no lote, e a impossibilidade de escolha do título definitivo pelo assentado.
Defendido pelo MST, o título de concessão real do uso da terra, ou seja, uso da terra sem posse de título, passa a não ser mais uma opção do assentado. A ele, é possibilitado apenas o título de posse. Em contexto de fragilidade dos assentamentos, muitos deles sem água e luz, por exemplo, o agricultor fica vulnerável à venda da terra ao mercado especulativo.
Outro dispositivo presente na norma que possibilita a reconcentração fundiária é a possibilidade de regularização fundiária de megalatifúndios. Nas normativas anteriores, o limite de área de terra pública regularizada era de 1,5 mil hectares na Amazônia Legal; grande extensão de terra, dado o contexto da região. Pelo novo texto, áreas de até 2,5 mil hectares, em qualquer região do país, estão incluídas na política de regularização. 1,5 mil hectares fora da Amazônia já seria um absurdo de área, imagine 2,5 mil hectares. 
Além disso, está liberada a venda da terra brasileira para os estrangeiros, o que é um verdadeiro absurdo. O que vai acontecer com esse país daqui em diante? O que vai acontecer com esse país daqui em diante? O que vai acontecer eu não sei, mas eu acho que a gente vai ter que cobrar eternamente a irresponsabilidade de quem destruiu esse país. E aí eu fico pensando o seguinte: é preciso que todos nós, rapidamente, tenhamos consciência do grau de irresponsabilidade dos que arquitetaram, armaram, participaram e apoiaram o golpe institucional de 2016.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A Casa Grande se vinga da Senzala


O golpe de 2016 foi a forma como a Casa Grande (elite carcomida, rentistas, plutocracia e grandes empresários) encontraram para se vingar da Senzala (o povo pobre e desprotegido). Nos governos Lula e Dilma. A população das classes E, D e C encontraram condições de ter acesso a uma série de benefícios que até então não tinham. De repente, os aeroportos estavam cheios de pessoas dessas classes sociais. E isso gerou desconforto na elite carcomida no Brasil com definições extremamente preconceituosas. Desde o golpe cívico-militar de 2016, à exemplo de 1964, a situação se inverteu de forma dramática.
O que temos hoje é uma vingança terrível contra as classes sociais mais pobres. E agem como os capitães do mato na época da escravidão. Usam a pior vingança possível. Em Colniza (MT), vários trabalhadores Sem-Terra foram assassinados sem que até agora ninguém saiba os autores em uma chacina marcada pela tocaia. No Maranhão, invadiram uma área de preservação e cortaram as mãos de dois ou três índios, além de usarem violência extremada contra os mesmos.
Recentemente, em Pau D’Arco (PA), 10 posseiros foram assassinados da pior forma possível pela Polícia Militar do Pará, em um crime horroroso. Todos estes crimes deveriam ser denunciados à Corte de Haia, há Holanda, para que estes assassinos fossem responsabilizados como criminosos, assim como fizeram com os nazistas.
Em São Paulo, o prefeito fanfarrão João Dória, e o “Santo” (codinome de Geraldo Alckmin) nas listas de propinas mandaram a Polícia Militar “baixar o pau” em viciados em drogas. O prefeito fanfarrão mandou derrubar uma casa com três pessoas dentro. É mais um criminoso que deveria ser denunciado ao Tribunal de Haia.
Os movimentos sociais estão sendo criminalizados, e durante a passeata em Brasília, houve grande repressão por parte da PM do Distrito Federal, da Polícia Nacional e do Exército. É este o país horroroso que temos hoje. A terra da América está sendo regada pelo sangue dos inocentes.
O juiz de primeira instância de Curitiba, Sergio Moro, age como um Torquemada moderno, perseguindo de forma cruel aqueles que considera "inimigos da elite brasileira". 
A Casa Grande se vinga de forma cruel contra a Senzala. Como diz o professor Antônio Celso, da Unesp, “estamos em guerra, e quem vencer, vai ter que cortar o pescoço do outro”. Infelizmente, a Casa Grande tem armas poderosas...

sábado, 25 de março de 2017

Ricardo Pinheiro, PT e flexibilização da CLT

O ex-prefeito Ricardo Pinheiro, do PSDB, deu uma lição nesta semana ao PT e aos sindicatos de trabalhadores em Assis. Em função das discussões envolvendo as contas municipais, a atual administração espalhou out-doors pela cidade denunciando que recebeu uma herança difícil, com uma dívida em torno de R$ 60 milhões.
Imediatamente, Ricardo Pinheiro emitiu uma nota, postou-a na Internet e gravou um vídeo, espalhando-o pelas redes sociais, refutando os argumentos da Prefeitura. Além disso, Pinheiro devolveu na mesma moeda espalhando out-doors pela cidade enfrentando os argumentos da atual administração. Não cabe à mim dizer quem está certo ou errado porque desconheço critérios contábeis de contas municipais e não sei se foram deixadas dívidas ou não.
O que analiso é que política é enfrentamento. E Ricardo Pinheiro, neste aspecto, fez isso muito bem, não ficando entocado, enquanto recebia fortes críticas da atual administração. Ele teve a coragem de enfrentar esta situação o que não aconteceu com o pessoal do PT no processo do golpe contra a presidente Dilma Roussef. O PT – assim como em Assis – não defendia a sua presidente através da batalha da comunicação, adotando um silêncio sepulcral enquanto o PSDB e os partidos de oposição ruminavam dia e noite contra a ex-presidente. O jornalista Paulo Henrique Amorim dizia que era irritante o silêncio do PT que se recolheu e ficou entocado enquanto a ex-presidente ia para o cadafalso.
O mesmo acontece agora com a flexibilização da CLT. Estão instaurando a escravidão novamente no Brasil, e em Assis – e em todo o Brasil – os sindicatos de trabalhadores adotam um silêncio irritante. Deveriam no outro dia,  após o projeto passar pela Câmara, convocar coletivas de imprensa e denunciar esta monstruosidade. Deveriam pagar matérias pagas nos jornais e emissoras de rádio denunciando este absurdo. Deveriam ter espalhado out-doors pela cidade denunciando este golpe que fará com que o trabalhador brasileiro passe a ser um escravo moderno. No entanto, o que se vê é um silêncio sepulcral. Somente alguns discutem tal situação através do facebook, naquilo que se chama de esquerda caviar.

Os sindicalistas deveriam ler o Capitão Carlos Lamarca, que deixou o Exército durante o golpe de 64 e se enveredou pela luta armada para defender o povo brasileiro daquela monstruosidade que praticaram contra a democracia. Ele dizia que se for covarde na política, os seus adversários – e inimigos – te destruirão em pouco tempo, e não sobrará pedra sobre pedra. Os sindicalistas, que ficam em posições confortáveis em suas salas com ar condicionado, daqui a pouco tempo não terão mais trabalhadores para defender com esta absurda flexibilização da CLT. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A sordidez humana não tem limite

Quem já teve a oportunidade de assistir ao filme “Na Terra do Amor e do Ódio”, primeiro como diretora da atriz Angelina Jolie, tem uma noção exata da sordidez humana. O filme conta a guerra civil que desintegrou a Iugoslávia na década de 1990 em sete países, e nos mostra de que forma sórdida os sérvios perseguiram e mataram milhares de muçulmanos bósnios da pior forma possível. Eu, particularmente, há muito tempo não acredito na “humanidade fraterna” como apregoam religiosos. O homem é mau por natureza.
A sordidez humana pode ser visto na morte da ex-primeira dama, dona Marisa Letícia. O que foi feito através de redes sociais é algo nojento e perverso. Não existe uma justificativa para que alguém celebre a morte de outra pessoa. Mas o que as pessoas estão fazendo é expressar um ódio por uma figura pública que pode ter supostamente o prejudicado. Essa comemoração mórbida é uma expressão de ódio, de intolerância e de falta de ética que vivemos no Brasil pós-golpe de Estado incentivado principalmente pela Rede Globo de Televisão.
A morte de Dona Marisa Letícia é o triunfo físico da narrativa de ódio reinaugurada pela direita brasileira, a partir da vitória eleitoral de Dilma Rousseff, em 2014, contra as forças reacionárias capitaneadas pela candidatura de Aécio Neves, do PSDB.
Em sua insana odisseia pela retomada do poder, ainda quando o TSE contabilizava os últimos votos das eleições presidenciais, Aécio e sua turma de mascarados se agregaram, não sem uma sinalização evidente, aos primeiros movimentos da Operação Lava Jato e com ela partiram, sob os auspícios do juiz Sergio Moro, para a guerra de tudo ou nada que se seguiu.
Foi esse conjunto de circunstâncias, tocado pela moenda de antipetismo e ódio de classe azeitada diuturnamente pela mídia, que minou a saúde de dona Marisa, não sem antes submetê-la ao tormento da perseguição, do constrangimento, da humilhação pública, da invasão cruel e desumana de sua privacidade.
A perseguição ignóbil ao marido, Luiz Inácio Lula da Silva, aliada à permanente divulgação de boatos sobre os filhos, certamente contribuíram para que Dona Letícia, a discreta primeira-dama, tivesse a saúde atingida. Para atingir Lula, a quem não tiveram coragem de prender, o esgoto da mídia e seus serviçais da política envenenaram a nação com ódio, rancor e ressentimento, nem que para isso fosse preciso atingir a vida de toda a família do ex-presidente.
Não sem antes vazar as imagens de sua tomografia cerebral, como um troféu grotesco de certo jornalismo abjeto oferecido às hienas que dele se alimentam. É inevitável controlar os pensamentos e sentimentos, no entanto, é possível controlar o que será compartilhado nas redes sociais. A morbidez, a intolerância e o ódio estão tão na moda que existem até os ‘haters’. E agora essas atitudes de intolerância começam a surgir até mesmo em casos delicados como uma morte.
A crise não é só política e econômica! Há uma crise de humanidade. O ser humano está cada dia mais frio, mais insensível e mais afastado da espiritualidade. Fazer chacota e comemorar a morte de outro ser humano, seja ele qual for, nos aproxima da mais primitiva barbárie. Nos coloca no mais baixo grau do processo evolutivo.  Tem que ser muito espírito de porco para envolver política e cuspir ódio numa situação dessas. Não se trata de primeira dama, ou quem é o marido. Ali ainda existe um ser humano que merece respeito.
A morbidez, a intolerância e o ódio estão tão na moda que existem até os ‘haters’. E agora essas atitudes de intolerância começam a surgir até mesmo em casos delicados como uma morte.
Prestem atenção no que aconteceu na ex-Iugoslávia. Tudo começou após a morte do Marechal Tito com expressões de ódio dos sérvios contra os bósnios. A história nos conta a carnificina que virou a “Suíça dos Balcãs”.
 Todos sabemos os nomes, os cargos, as redações e as togas de cada um dos responsáveis daqueles que destilam ódio no horrível Brasil atual. Eles também mataram dona Marisa. 

domingo, 29 de janeiro de 2017

Delegado da PF ou militante político?


O delegado Igor Romário, coordenador da Operação Lava Jato, elevou a Polícia Federal para um nível de indigência moral nunca visto, até então. Apenas na ditadura militar, época em que a PF era uma milícia dos generais, agentes do Estado não temiam expor sua identidade de besta fera, mas havia um detalhe: o Brasil não tinha Constituição, não tinha leis, não tinha princípios de civilidade reconhecidos como tais.
Lula, todos sabem, é o alvo da Lava Jato. Sem a prisão do ex-presidente, o projeto em curso de venda do patrimônio público e desmoralização do Brasil, internacionalmente, não poderá ser concluído à contento. Então, para prendê-lo, permite-se até essa infâmia, a crueldade inominável de torturar psicologicamente um homem que está com a esposa em coma no hospital.
É possível que apenas na Gestapo nazista uma coisa dessas pudesse vingar sem uma rápida intervenção das autoridades.
Igor Romário apoiou Aécio Neves, do PSDB, nas eleições de 2014. É um representante emblemático dessa geração de fascistóides que tomou conta dos quadros da PF e do Ministério Público Federal. Uma gente que deveria fiscalizar e garantir a lei, como servidores públicos decentes.
Mas no Brasil dos golpistas, a decência saiu de moda.